DB Multiverse

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DBM Universo 16

Escrito por Syl & Salagir

Adaptado por Comunidade DBM PT_BR

Tradução da fanfic francesa sobre o Universo 16.

123
[Chapter Cover]

Traduzido por Akroma

Capítulo 2: Um dilema muito difícil

Goten e Trunks se olharam, confusos. Pra dizer a verdade, eles já não entendiam mais nada. Era como se fosse coisa somente pra adultos. Mas Trunks decidiu falar:

— Eu ainda não entendi... Onde está o meu pai?

Um silêncio pesado se fez na sala. Bulma tomou a iniciativa e tentou explicar amorosamente:

— Deixe-me explicar, querido...

Ela respirou profundamente, tentando pegar um pouco de coragem também.

— O seu pai e o pai de Goten usaram aqueles brincos para se fundir e poderem derrotar Buu. A questão é, por este método, o processo é irreversível.

— O que quer dizer irreversível? — perguntou Goten inocentemente.

— Quer dizer para sempre. — respondeu Trunks, carrancudo.

Trunks olhou de lado para Vegetto, que naquele momento quis que o chão se abrisse e o engolisse, de tão embaraçado que estava. A intuição de Vegeta estava dizendo para ele agir, mas a de Goku pedia que ele apenas esperasse e visse o que seria melhor fazer. Atrás deles, Goten finalmente entendeu. O garoto de cabelo espetado, incrédulo, tirou as mãos de trás da cabeça e perguntou:

— Então, quer dizer que o meu pai e também Vegeta são agora aquela pessoa?

Ele perguntou isso apontando para Vegetto. E foi o próprio Vegetto quem respondeu.

— Sim, é isso mesmo.

Goten visualizou: aquilo, de certa forma, queria dizer que ele iria perder seu pai novamente, o pai que ele conheceu por apenas um dia. Tudo o que ele sabia sobre Goku eram as histórias que sua família tinha contado. Mas mesmo considerando tudo isso, aquela nova situação não o incomodou tanto. Até poucos dias atrás ele não tinha nenhum pai, então isso era melhor do que nada. Ele sorriu, feliz por ter encontrado uma maneira de lidar com a situação.

Mas a reação de Trunks foi diferente.

— Isso quer dizer que eu... Eu não vou mais ver meu... — balbuciou Trunks.

Ele sentiu a emoção contorcer sua garganta, mas se controlou. Seu pai não iria querer que ele chorasse em público.

Bulma interveio:

— Mas claro que você vai... Agora ele é o seu pai.

Bulma mal podia acreditar no que ela própria estava dizendo, mas ela estava usando seu talento de atriz para conseguir convencer seu filho. Ela continuou:

— Mesmo que ele não tenha a mesma aparência, ou exatamente a mesma personalidade, seu pai faz parte dele agora.

Vegetto, querendo demonstrar os sentimentos que Vegeta teria, começou a falar:

— É verdade que eu não sou Vegeta, nem Goku. Eu sou ambos, e saiba que eu irei te amar da mesma forma que antes. Eu serei sempre seu pai.

Trunks assentiu. É claro que uma notícia como aquela não poderia ser digerida imediatamente, ainda mais por uma criança daquela idade. Mas Trunks teve a sabedoria para guardar as perguntas mais embaraçosas para depois...

Depois de um embaraçoso silêncio... Uma voz bem conhecida pôde ser ouvida:

— Parabéns crianças! Vocês venceram, mais uma vez.

— Obrigado, Senhor Kaiô — respondeu Piccolo, estóico como sempre.

O Senhor Kaiô continuou:

— Enma ainda vai acabar odiando a tarefa de colocar pessoas dentro e fora do outro mundo. Os recentes eventos o sobrecarregaram com pessoas falecidas. A propósito, ele quer falar com você, Vegetto...

— O que ele quer comigo? — perguntou o mencionado guerreiro, cruzando os braços.

— Eu não sei. Vá até ele com Dende quando você tiver tempo. Mas não exatamente agora, ele está muito ocupado cancelando os arquivos de todos os terráqueos que foram ressuscitados... E ele vai permanecer assim durante algum tempo ainda.

— Ok — respondeu Vegetto, lembrando-se do pedido que fez antes da morte de Majin Buu.

O Senhor Kaiô concluiu:

— Agora é hora de comemorar, pessoal! Vocês salvaram o universo! Por que parecem tão tristes? Tragam a champagne!

Atrás do Senhor Kaiô, Bubbles e Gregory usavam chapéus de festa e estavam soltanto fogos de artifício. O Kaiô estava certo: o inimigo mais perigoso do universo foi derrotado, não havia razão para depressão. Uma vez que a conexão com o outro mundo foi cortada, eles começaram a falar sobre tudo e qualquer coisa, felizes por a provação ter finalmente passado. Videl, a mais curiosa de todos e também a menos embaraçada, continuou falando com Vegetto, que não se incomodou.

— Mas como você se sente agora realmente? É como ter um anjo e um demônio nos ombros, como em um desenho?

— Não exatamente... — respondeu Vegetto, sorrindo ao pensar em Goku com uma auréola e duas asas em seu ombro direito e Vegeta com chifres e cauda bifurcada no lado esquerdo.

Ele respirou e explicou:

— Na verdade, eu tenho só uma consciência, uma única voz em minha cabeça. O que aconteceu foi uma fusão completa entre corpo e mente. Eu vou tentar explicar: Os dois indivíduos que existiam antes agora são somente um: eu. Eu sou eles, ainda que eu não deva ser tomado como Goku ou Vegeta. Eu sou a mistura apropriada de suas personalidades e físicos, e isso considerando que eles eram pessoas completamente opostas. Eu tenho memórias dos dois, eu sei seus passados, mas isso não me impede de ser um indivíduo único.

— Isso é de fato complicado... — disse Videl, colocando a cabeça entre as mãos.

— Eu sei.

— Mas o que você vai fazer quanto aos filhos e as esposas? De fato você é um, mas cada uma delas tem um marido.

Aquela pergunta apontou um problema realmente complicado. Como resolver isso? Viver com as duas? Isso estava fora de questão! Seria muito sórdido... Mas como escolher? Ele pensou ser mais próximo a ChiChi, mas a aversão de Vegeta pela dona de casa histérica e o amor inesperado – sentimento que Vegeta jamais cogitou que sentiria um dia – que ele sentia por Bulma contrabalançaram a coisa completamente. Considerando também que Goku possuía valores sólidos como "não engane sua esposa" e "Bulma é minha amiga, sem flertes", tudo isso tornava o problema realmente difícil. Se ele pudesse, ele escolheria ter que derrotar Majin Buu novamente, isso seria uma coisa mais fácil de lidar do que o problema que ele tinha agora diante de si. Resumindo, Vegetto estava totalmente confuso. Ele coçou a cabeça, como Goku fazia algumas vezes, e disse:

— Vocês sabem, eu não pensei nisso ainda. Eu realmente não sei o que fazer...

Ele pareceu tão envergonhado, que Videl exclamou:

— Eu embaracei você? Por favor me desculpe!

— Não, está tudo bem. Eu teria que pensar nisso mesmo, mais cedo ou mais tarde...

Vegetto revirou o problema em sua cabeça. Haviam muitas razões para estar desconfortável com a questão. Ele pensou no que sentiu quando nasceu, a apenas duas horas atrás... Ele tentou analisar os sentimentos de suas partes: como Goku, ele sentia profundo amor por ChiChi e queria muito bem sua melhor amiga Bulma. Vegeta foi o que fez o debate mais complicado: ele também tinha profundo amor por sua esposa, Bulma, além disso sentia uma profunda repulsão por ChiChi, a quem considerava uma mulher estúpida, boa somente para limpar a casa. Para satisfazer seu lado "vegetico", ele teve que se inclinar para Bulma, mas a lealdade de Goku ferveu sua cabeça ao pensamento de conhecer Bulma mais... Intimamente. Tecnicamente, ambos Goku e Vegeta eram contra uma relação com a mulher do outro.

Vegetto olhou para ChiChi... Um rosto amigável, sorrindo... Então ele olhou para Bulma. Enérgica, mas também engraçada e doce... Um pouco violenta, mas, não mais do que ChiChi...

— Então, você chegou a uma conclusão? — perguntou Videl, atenta.

— Sim...

— Então diga! — praticamente implorou a moça.

— Eu... — Vegetto hesitou um pouco — Particularmente, eu me sinto mais atraído por Bulma...

— Isso quer dizer que Vegeta amava sua esposa mais do que Goku a dele? — Videl disse alto, surpresa.

Ela parecia não acreditar. Por tudo o que ela sabia e tinha ouvido sobre Goku, ela acreditava que Vegetto fosse escolher ChiChi... Mas bem, é a vida.

Vegetto respondeu rapidamente:

— Não, não, não é isso! Os sentimentos dos dois por cada uma delas contam.

— Então o ódio de Vegeta por ChiChi supera o amor de Goku por ela?

— Não, mas Goku é também o melhor amigo de Bulma... Bulma é querida por ambos, enquanto ChiChi somente por Goku, então...

Vegetto suspirou devido ao estresse que foi ter que explicar seus sentimentos. Como ele poderia esperar que a mistura entre Goku e Vegeta pudesse gerar tamanha confusão?

O bom modo com que ele cuidou para apagar todo tipo de tristeza daqueles corações pelas duas perdas acabou vencendo. Goku, que eles pensaram tê-lo finalmente de volta, e Vegeta, que a despeito de sua personalidade, acabou no final sendo apreciado, se foram ao mesmo tempo... Bem, eles ainda tinham Vegetto, aquele que os mais otimistas haviam descrito como "os dois em um".

Os que foram mais afetados pelas perdas foram:

Trunks, que custou a conseguir amor paternal...

Bulma, que percebeu que tinha sentimentos mais fortes do que ela pensava...

ChiChi, que pensou ter preparado a comida predileta de seu marido para celebrar seu retorno...

E Gohan, que apesar do fato de ter crescido sem a presença do pai, estava esperançoso de poder tê-lo por perto por mais do que 3 anos (lembrando que esse foi o máximo de tempo que Goku permaneceu com sua família).

Uma vez que o momento de embaraço terminou, Vegetto foi incluído no grupo. Aqueles que falaram com ele foram os que menos conheciam Goku e Vegeta, a exemplo de #18 (apesar do fato de ela ter acabado gostando bastante de Vegeta, como se eles tivessem na mesma sintonia), Videl e Satan. Alguns tentaram lidar, como Kuririn, Dende e Goten, mas o laço familiar fechado teve um momento muito difícil com a idéia da fusão. Goku e Vegeta juntos, isso era impossível! Um era a pessoa mais amigável no mundo, enquanto o outro era o homem mais estóico possível! Aquilo parecia contrariar todas as leis da natureza!

— Então, você vai vir viver com a gente? — perguntou Goten.

Vegetto levou um baque. Mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Trunks replicou rapidamente:

— Claro que não! Ele vai morar com a minha mãe!

Goten não deixou por menos e exclamou:

— Mas ele é meu pai!

— Ele é mais meu do que seu — respondeu o filho de Vegeta. E sem dar trégua, continuou:

— Além disso, seu pai estava morto! Não vai fazer qualquer diferença pra você.

Goten começou a choramingar. Trunks, revirando os olhos, disse:

— Você não vai chorar, vai?

— Mas... Eu estava feliz por ter um pai! — respondeu Goten, quase chorando.

— E eu acabei de perder o meu! Você vai tirá-lo de mim?

Bulma finalmente interveio:

— Meninos, já basta! Trunks, eu te proibo de falar assim! Você não percebe que está magoando Goten?

— Agora a culpa é minha? Eu não sou responsável pelo papai estar...

Ele se calou porque sentiu que sua voz iria vacilar se ele continuasse. Bulma suspirou. O clima pesado tinha finalmente sido quebrado, e agora os garotos estavam trazendo-o de volta. Mas por outro lado, eles não podiam fugir de enfrentar os fatos. Bulma olhou para Vegetto, como querendo dizer "nós vamos ter que conversar mais tarde". Ele assentiu.

Poucas horas depois, era o momento de cada um ir para o seu lado.

— Até mais! — disse Kuririn, enquanto voava para longe ao lado da esposa e com a filha nos braços.

— A gente se vê! — disseram Satan e Videl, indo embora em uma cápsula.

Piccolo se dirigiu a Vegetto:

— Apenas uma coisa... Eu gostaria de ver aquela quantidade de poder que você teve que usar para matar Majin Buu... Você poderia aumentar o seu ki, apenas para mostrar?

— Er... Certo. — Vegetto respondeu, pego de surpresa.

— Espere! Eu quero lutar! — exclamou Gohan.

Piccolo olhou surpreso para Gohan. Não era seu comportamento natural querer lutar, especialmente sem motivos para tal! Mas ainda assim, seus olhos mostravam determinação, um desejo profundo de ver o quanto seu pai tinha mudado durante sua aventura. Então, o Namekuseijin se sentou, assentindo.

— Como você quiser.

O pequeno grupo se posicionou ao lado, ansiosos para ver o show. Gohan assumiu uma posição de luta, como seu pai o havia ensinado. Quanto a Vegetto, ele não se moveu.

— Venha! — ele provocou.

Ver um rosto tão similar ao de seu pai, mas ao mesmo tempo com o sorriso provocador de Vegeta, inesperadamente enfureceu Gohan, que se lançou sobre Vegetto. Soltando um poderoso kiai, ele lançou um golpe com toda a sua força, mas foi bloqueado facilmente. Daí se sucedeu uma sequência de socos e chutes, nenhum acertando seu alvo. Movendo-se o mínimo possível, Vegetto frustou sem esforço todos os ataques de Gohan, que ficou tão irritado que se cercou de uma aura branca. Então, rapidamente, conseguiu conectar um uppercut no estômago de Vegetto, que se dobrou. Pensando ter finalmente o afetado, Gohan sorriu, mas uma mão agarrou seu antebraço. Vegetto olhou para cima, satisfeito, e arremessou Gohan contra o chão, esmagando-o ao mesmo tempo.

— Isso não é justo! — gritou o filho enfurecido.

— Isso é uma luta! — retornou seu oponente.

Gohan, irritado por ver aquele olhar de orgulho no rosto de seu pai, levantou-se, pronto para mais uma. O fato de Vegetto tê-lo sobrepujado daquela maneira em sua forma base feriu seu orgulho de guerreiro.

— Transforme-se!

— Eu não preciso. — simplesmente respondeu Vegetto, ao mesmo tempo em que aplicava um golpe bem no rosto de Gohan.

Gohan caiu poucos metros para trás. Piccolo, que estava assistindo calmamente como sempre, estava profundamente impressionado pelo patamar a que aquele guerreiro fusionado havia chegado. Gohan se lançou sobre Vegetto, mas uma onda de ki o recebeu. Quando a poeira se dispersou, ele viu Vegetto com um sorriso de vitória no rosto e seus braços cruzados. Gohan caiu para trás, confuso. Ele não podia imaginar que aquele homem na sua frente era seu pai. Não com aquela face. Então ele se colocou ereto novamente, em posição normal. E disse:

— Eu já vi o que eu queria.

Todos estavam muito impressionados com o que tinha acontecido. Eles se olhavam com uma expressão de admiração, quando Dende se aproximou de Vegetto:

— Antes que eu me vá, eu vou levar você até Enma.

— Ok! — Vegetto disse, finalmente com uma expressão amigável no rosto. Ele colocou sua mão no ombro do jovem namek, e eles desapareceram. Para aparecer perante Enma.

— Ah! Então é você o que aumentou meu trabalho!

— Eu sinto muito, hehe! — gaguejou Vegetto, coçando a cabeça.

— Eu pedi que você viesse, para alertá-lo... A Terra deve se virar por si mesma. Você quebrou uma lei universal chamando pelo planeta Namek.

— Bem, me desculpe, mas foi urgente.

— Mas que tenha sido a última vez!

— O... Ok!

Vegetto pensou que o assunto estava encerrado, mas se lembrou do desejo que ele tinha feito quando matou Buu:

— Ah! E quanto ao meu pedido?

— Sim, eu escutei você mais cedo.

— Eu quero saber quanto a ele...

— E porque eu deveria?

Vegetto permaneceu em silêncio, surpreso com a pergunta bem encaixada de Enma.

— Bem... Em retorno a tudo o que eu fiz...

— Você? — disse Enma, que pela primeira vez desde que a conversa tinha começado, tirou sua atenção dos papéis que estavam sobre a mesa.

— Bem... Sim, eu ainda...

— Não, não é você. É Goku.

— Mas Goku é parte de mim.

— Talvez, mas ele não é você. Não esqueça que você também tem um dos piores criminosos do universo em você. Goku pode ter feito grandes coisas, mas Vegeta matou tantas pessoas quanto Goku salvou, talvez até mais! Eu teria atendido esse pedido por Goku... Mas para você, eu recuso, ponto final!

Desapontado e com raiva, Vegetto mal se despediu de Enma e se dirigiu de volta a Dende. Eles reapareceram no templo de Kami Sama, que ainda tinha as marcas da última batalha. Agora, Vegetto teria que encarar seu pior oponente: sua família...

Algumas dezenas de minutos depois, o sol estava começando a se pôr, então já era hora de ir, mas com quem? Vegetto, que não era um covarde, decidiu falar em particular com cada uma das duas sobre essa... Complicação. Ele fez um gesto para ChiChi e Bulma se aproximarem. Gohan deu um passo, mas Vegetto o ordenou que ficasse aonde estava com um olhar. Quando eles estavam afastados o suficiente, Bulma perguntou:

— O que está havendo?

Vegetto começou:

— Bem... É um pouco complicado, mas eu estive pensando a respeito do que eu devo fazer...

— Sobre o quê? — perguntou ChiChi, mesmo que ela já tivesse uma idéia do que se tratava.

— Sobre você. Eu tenho o marido de vocês duas dentro de mim... Então, eu tenho que fazer alguma coisa quanto a vocês...

Bulma e ChiChi olharam embaraçadas. Elas sabiam que uma hora teriam que enfrentar essa situação... Mas já? Bem, já que teria que ser, então que fosse... Bulma sugeriu:

— Você poderia viver com nós duas.

Vegetto franziu as sombrancelhas e cruzou os braços, um sinal de que ele estava pensando profundamente. O mesmo "tic" de Vegeta, Bulma percebeu. Ele finalmente respondeu:

— Na verdade, eu achei isso um pouco sórdido... De fato, eu sinto que tenho obrigações com vocês duas, mas... Há muitos sentimentos contraditórios dentro de mim. No começo, eu estava mais inclinado para Bulma — ele confessou com sinceridade.

ChiChi fez uma careta, mostrando o tão escandalizada ela ficou ao ouvir aquilo, e exclamou:

— Como assim!?

— Bem, por Bulma, eu sinto um profundo sentimento de amizade de Goku, e o amor de Vegeta. Por você, eu sinto o amor de Goku, mas também a aversão de Vegeta...

ChiChi pareceu se sentir mal. Mas rapidamente se recompôs, e atacou Bulma:

— Seu marido realmente era alguém intragável. Você vê o que ele pensa de mim???

— Isso não me surpreende muito... — disse Bulma em um tom neutro.

ChiChi quase sufocou em fúria. Vegetto tentou intervir, em vão:

— Bem, acalmem-se.

— Bem, o que você pretende fazer? — perguntou Bulma, sem prestar atenção à furia de sua amiga.

— Bem... Viver mais na sua casa, mas também frequentar a de ChiChi de tempos em tempos... Afinal, eu ainda sou o marido dela também, de certa forma...

— Eu ainda acho que você deveria viver com nós duas. — respondeu Bulma.

— Como assim? — Vegetto estava realmente surpreso.

— Bem... nossas casas são bastante afastadas, são umas cinco horas de diferença... Mas nós poderíamos combinar horários e você se teleportar...

— E quando eu durmo? Você se importaria de me dizer?

— Eu me lembro que Vegeta tinha um sono muito curto. Umas três horas de sono eram suficientes para ele. Quando ele estava treinando na câmara de gravidade, ele podia ficar dias sem dormir...

ChiChi, agora mais calma, interveio:

— Mas, Goku realmente precisava dormir muito, pelo menos 8 horas...

Então Bulma perguntou a Vegetto:

— E você, o que pensa sobre isso?

— Bem, eu não sei... Pra dizer a verdade, eu não dormi como mim mesmo ainda...

— Nós vamos checar isto hoje à noite! — concluiu ChiChi com um sorriso.

— Com quem você vai esta noite?

Vegetto refletiu. Seu estômago sem fundo, oriundo dos dois saiyajins, roncou. Uma memória olfatória veio em sua mente. A memória de um bife suculento com vegetais e arroz quente com alguns espetos de frango. O lado Goku requisitou a comida de ChiChi e Vegetto não estava a fim de recusar. Então ele disse, com um sorriso estúpido:

— Eu gostaria de ir com ChiChi, porque eu estou com fome! E...

Bulma estava esperando por isso. ChiChi era, de longe, melhor cozinheira que ela, e Goku era um estômago ambulante. Era a prova de que Vegetto, com uma personalidade tão similar a de Vegeta, não tinha deixado completamente de ser Goku, afinal... ChiChi pareceu satisfeita. Ela sempre soube que todas aquelas horas na cozinha preparando bons pratos iriam dar retorno algum dia.

ChiChi se aproximou e mostrou ousadia ao pegar Vegetto pelo braço da mesma forma como ela fazia com Goku, e sorriu para ele. Atrás deles, Bulma estava fulminante, sob a impressão de que ChiChi estava roubando seu marido.

Quando eles chegaram, ChiChi começou a aquecer as enormes panelas no fogo. Vegetto estava babando. Ela colocou a mesa e eles comeram em um bom clima, exceto por Gohan, que sentiu pouco à vontade. O momento de ir para a cama chegou e, Vegetto, como um bom pai, contou a Goten uma história.

— Era uma vez, um príncipe de um planeta muito distante... — ele começou, sonhador.

— Qual era o nome do príncipe? — perguntou o garoto fascinado.

— Errrr... Vegeta.

Goten estremeceu.

— E então, esse príncipe possuía um enorme reino, e naquele reino viviam os mais fortes guerreiros de todo o universo. O reino prosperou porque eles eram imensamente ricos. Eles trabalhavam para um homem muito poderoso e eles foram seus primeiros servos. Ninguém podia derrotá-los...

— Então? — Goten estava impaciente.

— Um dia, o príncipe foi para uma missão com seu subordinado Nappa e um soldado promissor, Raditz... E ele pensou que veria de novo seu planeta, sua família e seus amigos, mas...

— Mas? — perguntou Goten, embaraçado pela tristeza que ele sentiu em seu novo pai.

— Mas o homem para o qual seu povo trabalhava era na verdade um tirano inescrupuloso. Sem qualquer aviso, ele destruiu o belo planeta, matando todos os habitantes no processo, menos o príncipe e seus dois companheiros...

— Porquê?

A pergunta tinha saído da boca de Goten automaticamente, sem que ele pudesse impedir, e o garoto se arrependeu logo que percebeu no rosto de seu pai uma mistura de tristeza e ódio.

— Porque ele estava com medo daquelas pessoas. Ele era alguém muito poderoso... E quis se livrar daquelas pessoas porque elas tinham o poder para crescer e, eventualmente, derrotá-lo.

Vegetto fez uma pausa e pensou profundamente. Goten permaneceu esperando em silêncio, e Gohan finalmente entendeu. Ele realmente aprendeu a apreciar Vegeta ao longo dos anos, mas não a ponto de querê-lo como pai... Ainda que, pela primeira vez, ele entendeu o que assombrava sua alma todos os dias e todas as noites. Vegetto voltou a si e abraçou Goten.

— Boa noite filho! Doces sonhos!

Ele beijou a testa de seu filho. Gohan pôde se ver sendo mimado da mesma maneira, dez anos atrás. Vegetto tomou seu rumo. Gohan o alcançou e o abraçou, dizendo:

— Boa noite pra você também, papai! Eu te amo!

Dizer que seu pai ficou surpreso seria um eufemismo. Ele sorriu, feliz por aquela mudança de atitude. No fim, Gohan foi para a cama em paz. Ele conseguiu enxergar seu pai em Vegetto e, ainda que ele tivesse alguns traços de Vegeta, este também tinha boas coisas, ainda que mais ocultas. A fusão aparentemente anulou essa vergonha que o impedia de revelar essas qualidades escondidas.

Gohan prometeu a si mesmo que iria amar esse novo pai do jeito que ele era, mesmo que levasse tempo... E ele sentiu serenidade, quando caiu em sono.

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